Eu estou me sentindo assim. Em cima do muro, sem uma posição. Vejo meus amigos se matando aos poucos, excluindo uns aos outros até que sobre quem? 

Fico lembrando de tudo que vivemos e fico pensando no porquê de ter chegado a esse ponto. Não sei se são atitudes egoístas, um ego muito inflado de se achar superior porque finalmente tomou um rumo na vida, ou porque é muito popular e faz amigos com facilidade. Mas esquecem do que viveram no passado e que já fizeram parte dos cabarés, ou que já fizeram parte daquela patota que ficava falando mal de quem estava ausente, ou de que foram felizes juntos e compartilhavam segredos. Denegrir isso agora é meio redundante, né?

As pessoas estão se julgando muito auto suficientes e não são. Se fossem, não dariam a mínima pro que o outro pensa. Acho que quando tem um motivo declarado, beleza. Mas do nada? Qual a explicação dessa destruição? Cada um pra um lado querendo estar junto. Porque quando procura, sente falta, nem que seja pra futicar. Uma indiferença escondia atrás de uma mentira. 

Sempre fui tão a favor de falar o que pensa (e criticada por sempre fazer DR) mas acho melhor do que guardar tudo pra si, ou mandar indiretas (que não é sinal nenhum de crescimento, diga-se de passagem) ou ficar falando pelas costas, sempre achei melhor resolver. Nada me envolve, mas envolve pessoas que gosto e de certa forma parece que estou sendo atingida.

E quando me envolve ou envolve a pessoa que amo sou a primeira a resolver quando me importo. Como disse a Wanessa, sobre o Rafinha Bastos: "Dei o tempo para se redimir e pedir desculpas, não o fez." Aí a gente é radical, né? Temos que ser humildes e ver quando estamos errados e como magoamos as pessoas por bobeira. O tempo está correndo...

Sinto falta de como era antes e fico triste por ver no que se transformou... E eu continuo em cima do muro, mas acho que já sei de quem o muro é!

(Sei que isso não vai mudar nada, é apenas um desabafo. Talvez devesse ser assim. Ou é melhor que seja assim. Só não consigo rir disso tudo...)

"Mãe, te escrevo essas palavras chorando tanto que nem consigo enxergar direito o papel. Quando você estiver lendo esta carta, com certeza já vou estar longe. Por isso te escrevo, na esperança de que estas palavras te alcancem.

Mesmo sabendo que eu precisava ir embora, eu não quero que você pense na minha partida como um rompimento. Eu não quero nunca deixar de fazer parte da sua vida. O que eu quero, e preciso, é deixar de ser a sua vida... ou a razão da sua vida como você sempre diz.

Todos esses anos, se a minha irmã sofreu por ter sido preterida, eu te digo: ser a preferida nunca foi mais fácil. E é este peso, mãe, essa sensação de sufoco, tantas vezes sem ar, que eu quero deixar pra trás. 

Te encontrar de novo é o que eu mais desejo, mas pra isso, eu preciso que você possa enxergar quem eu sou para além do que você gostaria que eu fosse. Porque mesmo imperfeita, mãe, dentro do meu coração eu tenho muito amor pra te dar!

Muita saudade. 

Beijo, Ana."

(Carta da Ana para sua mãe Eva - A Vida da Gente)

Um cisto a ultrassom acusou
No começo a Samara não ligou...

Cólicas intensas e dores ela tinha
E no ovário esquerdo o cisto só crescia

O médico receitou tratamento
Diane 35 não causou sofrimento

Porém não adiantou
E o cisto aumentou

Infecção urinária desencadeou
Andar, respirar fundo... ai, que dor!

E veio a notícia...
Operar por videolaparoscopia

Internada a Samara ficou
Para com os exames operar

Demitida do trabalho ela foi
Porque tinha que se tratar

Internada, a Samara voltou a ficar
Um dia antes, veio a lavagem, que sacanagem!

Um tubo de soro no traseiro...
Ela foi correndo para o banheiro

E ficou esperando a cirurgia
E quem diria, chegou o dia!

Muito nervosa ela estava
Pois tinha risco de laparotomia

Chegou a hora da anestesia
Do filme Awake ela lembrou

Mas falou de rock com o doutor
e se drogou...

Muito escuro estava, nem sonhou
O enfermeiro gritou: Samara acordou!

Doidona de anestesia, por debaixo dos panos olhou
Quando se deparou, xiiiiiiiiiiiiii, foi laparotomia, doutor!
A enfermeira confirmou!

Samara fez cesarea, mas não tinha bebê
O que tinha era um cisto, feio de doer

O pós-cirúrgico é tenso
Que dor! Que tormento!

Pontos, inchaço e muita dor
Ninguém entende o seu chororô

Dipirona, dimeticona, anti-inflamatório e sabonetinho
Tudo para cuidar da operação direitinho

Barriga aberta, tripas pra fora
Querem que eu ande como se não tivesse operado agora

E lá vai a Samara tirar os pontos...
Como ardeu, como doeu, meu Deus!

Vontade de xingar a médica...
De anã patética...

E assim a Samara continua seu pós-cirúrgico
Recebendo ajuda e apoio de todo mundo

(Na verdade eu queria dizer que essa p*rra dói pra c*ralho, é um c*, depender dos outros é f*da e eu dedico toda a música Platypus do Green Day pra vadia que tirou meus pontos)



Tive um vizinho que discutia com a namorada três vezes por semana. Eu ouvia tudo. Não por opção: morava no apartamento abaixo. Aquilo era amor ao choro e à reconciliação. Mas não um ao outro.
Difícil saber o que é amor. Mais fácil saber o que não é.
Um namorado citou Guimarães Rosa: amor é “descanso na loucura”. Com ele vivi mais a loucura do que o descanso, mas o aprendizado tem que começar por algum ponto. Com o tempo vi que ele tinha razão. O namorado, não o vizinho.
Amor é mesmo aquela sensação de voltar para casa.
Adormecer lado a lado é a grande prova. No dia seguinte, acordar e sentir que está levando alguém com você. Descobrir um sorriso ridículo no canto da boca. Pronto, encaixou. Feito pecinhas de Lego: diferentes, mas vindas do mesmo mundo.
Lego é gostoso. Quebra cabeça não.
Amor não é desejo: é feito de. Amor é feito de amor, mas não só. Amor não tem razão. Ninguém ama pelas qualidades do outro, nem apesar dos seus defeitos. Ama porque o outro é o outro e pronto. Amor é pacote completo.
Você sabe que é amor quando se descobre cúmplice. Quando tem a coragem de se mostrar. E de se ver. O outro é um espelho. Vai encarar?
Você sabe que é amor quando se entrega. Mas é melhor guardar algo para si mesmo. Amor não pode ser só para o outro.
Amor é o exercício do não ter. Amar e não ter nada em troca. Porque se é amor, não é em troca. Amor não serve para nada, não garante nada. Como as boas coisas da vida.
Amor é presença e é falta. Uma não vive sem a outra. Amor é liberdade. Gostoso é saber que o outro, com tantas opções, escolheu você mais uma vez. O que fazer para que amanhã ele faça a mesma escolha? Mantenha-se distraído.
Amor é feito de hoje. Da arte de não fazer tudo sempre igual. Da construção. Como revestir parede com aquelas pastilhas bem pequenininhas. No amor é preciso colocar uma por uma. Sem pressa de ver pronto. Para mim, é esse o sentido de amar como se não houvesse amanhã. Menos voraz do que sugere.
Mas posso estar errada. Sou amadora. Amei paredes inteiras. Quanto mais aprendo, menos sei. Gosto é do aprender.
Uma convicção: amor é delicadeza. Eu sempre quis falar isso para o vizinho. Tomara que a namorada dele compre Gloss esse mês.

( Por Cristiana Guerra, para a revista Gloss de junho de 2008)

É o manual do Lego? Amei me encaixar no texto. :)

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