Eu gostaria muito de agradecer a todos os incentivos para que eu saísse de casa e fosse ver gente. É verdadeiramente revigorante essa sensação de gastar metade do meu salário bebendo tudo o que pintar, gritar com os carros na rua, levar foras de patricinhas e ficar duzentos minutos tentando enfiar a chave na porra da fechadura de todos os prédios da cidade, exceto o meu. Esse masoquismo barato foi, nossa, muito legal. Se é isso que chamam de viver, sou mais de passar o resto dos meus dias afundado no meu sofá lambendo minhas feridas, me auto-erotizando e tirando James Cotton na minha harmônica, torcendo pelo retorno daquela época de ouro em que minha única preocupação era chegar na frente dos outros espermatozoides, já que não tenho triunfado em muitas competições desde lá.

(Gabito Nunes em “Juliete Nunca Mais”)

Eu me pergunto: por que os casamentos estão durando tão pouco? Infelizmente, chego a duas conclusões tristes: fogo de palha ou falta de vontade de enfrentar problemas. Hoje em dia é muito fácil dizer que você ama alguém. As pessoas, cada vez mais carentes, querem alguém para amar. O vizinho tem um amor, a melhor amiga casou, a professora de inglês ficou noiva. E eu? Como assim? Também quero! Então, desesperadas, se atiram na primeira relação razoavelmente saudável. Te amo, te adoro, te quero, te tudo. Casa comigo? Caso. Então as pessoas casam achando que aquilo é a salvação e que, sim, serão felizes. O tempo passa, o furor passa, a paixonite vai embora e o que fica é um vazio que precisa ser preenchido. Ei, cadê o amor? Olha, o amor não está ali, na verdade ele nunca esteve. O que existia era uma ilusão, um desejo de pertencer a alguém, a alguma coisa. Existe, também, a falta de vontade. Atualmente, tudo é descartável. O carro está velho, a gente troca. O celular tá fora de moda, a gente troca. O amigo não podia te atender naquele dia em que você precisava, deixou de ser amigo. Ninguém tem paciência, todo mundo quer felicidade a jato, prazer instantâneo. O cabelo tá ruim, escova progressiva. Não tem tempo para o cachorro, contrata um passeador de cães. Tudo é simplificado, ninguém quer fazer sacrifício. Suar a camiseta, pra quê? Quem quer emagrecer vive atrás de pílulas milagrosas, remédios infalíveis, dietas toscas de revistas que prometem e ficam só na promessa. Na verdade, todo mundo sabe do velho esquema: tem que gastar mais do que ingere. A regra é simples e clara, mas todo mundo quer um meio mais fácil de chegar no tão sonhado peso. A realidade é que as pessoas não querem perder tempo com bobagens. Querem ser bonitas, bem sucedidas, curtir a vida e ter prazer. Prazer, prazer, prazer. Hedonistas, morrem de medo que algo saia do controle.

Tenho uma má notícia para você: relacionamento não é só prazer. Não é só festa, viagem, risada, diversão, brinde, sexo, beijo, cumplicidade. Relacionamento tem fase chata, de vez em quando é uma merda, tem briga, discussão, chatices, rotina, implicâncias, ciúme, bate boca. A gente tem que lidar, conviver e amar uma pessoa que veio de outra família, outro mundo, tem outra criação, outros costumes, outro pensamento, outro jeito de viver, é outro. Você tem que aceitar aquele outro como ele é e isso dá muito trabalho. O amor é lindo, sim, mas ele é a maior recompensa para quem não tem medo de enfrentar os próprios medos (e os medos do outro). Para amar você não pode ter preguiça senão o final nunca vai ser feliz.

(Clarissa Correa)

"E o amor?, você me pergunta. O amor, ah, sei lá. O amor nem dá pra definir direito. Acho que é um desejo de abraçar forte o outro, com tudo o que ele traz: passado, sonhos, projetos, manias, defeitos, cheiros, gostos. Amor é querer pensar no que vem depois, ficar sonhando com essa coisa que a gente chama de futuro, vida a dois. Acho que amor é não saber direito o que ele é, mas sentir tudo o que ele traz. É você pensar em desistir e desistir de ter pensado em desistir ao olhar pra cara da pessoa, ao sentir a paz que só aquela presença traz. É nos melhores e piores momentos da sua vida pensar preciso-contar-isso-pra-ele. É não querer mais ninguém pra dividir as contas e somar os sonhos. É querer proteger o outro de qualquer mal. É ter vontade de dormir abraçado e acordar junto. É sentir que vale a pena, porque o amor não é só festa, ele também é enterro. Precisamos enterrar nosso orgulho, prepotência, ciúme, egoísmo, nossas falhas, desajustes, nosso descompasso. O amor não é sempre entendimento, mas a busca dele. Acho que o amor não é o caminho mais fácil, pois mais fácil seria dizer a-gente-não-se-entende-a-gente-não-combina-tchau-tchau. O amor é uma tentativa eterna. E se você topar entrar nessa saiba que o amor encontrou você. Seja gentil, convide-o para entrar."

(Clarissa Corrêa)


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