Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na freqüência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente. Há amor para todo mundo. Há amor para quem quer se conectar com ele. Não perdemos quando damos: Ganhamos junto.

(Ana Jácomo)




Até que ponto é possível amar sem ser amado?

Quando amamos platonicamente, o amor pode durar muito tempo. Pois não tem ninguém para estragar nossa idealização. Não há convivência para nos desafiar. É uma paixão estanque, feita de sonho e névoa. É uma vontade desligada da realidade. Temos a expectativa intacta, longe de contratempos. Acordamos e dormimos com o mesmo sentimento, longe de interrupção em nossa fantasia.
Mas quando amamos dentro de um casamento e quem nos acompanha não retribui o amor? Quanto tempo dura? Quanto tempo você suporta a secura, o desaforo, a grosseria? Quantos meses, se cada dia é um ano?
Nem estou falando de falta de sexo, mas a falta de beijo, de abraço, da telepatia rumorosa, do colo, de perceber seus cabelos sendo penteados pelas mãos, de ver seu rosto encarado de forma única e brilhante. Nem estou falando da falta de aventura, mas do conforto protetor, da cumplicidade, do afago que é viver com a certeza de que é admirado. Nem estou falando da falta de viagens, mas do mínimo da rotina apaixonada, ser cuidado mesmo quando está distraído. Não estou falando de arroubos e arrebatamentos, mas da vontade boa de morder seus lábios levemente quando suspira e de esperar o final de semana como um feriado.
Quanto tempo dura o amor sem retorno, sem reconhecimento?
Talvez pouco, quase nada. Quem não se sente amado não é capaz de amar. Não é problema de carência, é questão de tortura.
Extravia-se a cintilação dos olhos. Ocorre um bloqueio, uma desesperança, uma resignação violenta. É como dançar valsa sozinho, é como dançar tango sozinho. É abraçar pateticamente o invisível e não ter o outro corpo para garantir seu equilíbrio.
Você se verá um mendigo em sua própria casa, diminuído, triste, desvalorizado, esmolando ternura e atenção. Aquilo que antes parecia natural - a doação, a entrega, a alegria de falar e de se descobrir - será raro e inacessível. Todo o corredor torna-se pedágio da hostilidade. Passará a evitar os cômodos para não brigar, passará a evitar certos horários para se encontrar com sua esposa ou marido, passará a prolongar os períodos na rua, passará apenas a passar. Combaterá as discussões e gritarias anulando sua personalidade. Despovoará a sua herança, assumirá o condomínio do deslugar. Comerá de pé para evitar o silêncio insuportável entre os dois.
Quer um maior mendigo do que aquele que dorme no sofá em sua residência? Com um cobertorzinho emprestado e com a claridade das janelas violentando os segredos?
Por ausência de gentileza, perdemos romances. O que todos desejam é alguém que diga: não vou desperdiçar a chance de lhe amar. Alguém que não canse das promessas, que não sucumba ao egoísmo do pensamento, que tenha mais necessidade do que razão.
A gentileza é tão fácil. É fazer uma comida de surpresa, é convidar a um cinema de imprevisto, é pedir uma conversa séria para apenas se declarar, é comprar uma lembrancinha, é chamar para um banho junto, é oferecer massagem nos pés, é perguntar se está bem e se precisa de alguma coisa, é tentar diminuir a preocupação do outro com frases de incentivo.
Quando o amor para de um dos lados, o relógio intelectual morre. Não se vive desprovido de gentileza. A gentileza é o amor em movimento.

Quando te conheci nenhum anjo tocou trombetas. Não houve impacto algum sobre a terra e muito menos sirenes anunciando. Houve um silencio gigante e um sorriso tímido. Quando te conheci, e isso ja faz algum tempo, não sabia da nossa historia e da nossa entrega. Não sabia dos dias que viriam, das noites que viriam após os dias e do nosso carinho mútuo,  pleno, raro. Te conhecer foi uma brincadeira do destino. Então eu, que sempre fui muito dona das coisas, percebi que a vida é mais bonita quando a gente tem alguem para amar - e conhecer - todos os dias. Disse sim para todos os teus sonhos e senti, pela primeira vez, essa força propulsora que o amor nos dá. Eu te amo porque jamais ousou me colocar num pedestal, num lugar intocável.  Desde que te conheci estou ao teu lado e somos mais por isso. (...) Ao te conhecer soube que um outro universo poderia ser próximo e nosso. Hoje sei mais sobre paciência e maturidade. Escrevo menos e vivo mais, uma coisa de cada vez. Já comecei trezentos textos sobre você e nenhum fez sentido, porque eu te conheço.  E sei que palavra alguma explicará isso sem deixar escapar a beleza dos dias entre os versos. Depois desses "anos", dessa rotina, dessas risadas matinais e de todo carinho calculado da melhor forma possível tenho certeza que, naquela noite, algum anjo se manifestou.

Nós não ouvimos.
Estávamos ocupados demais nos apaixonando.

(Amanda Rodrigues)

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